Um acordo abrangente de livre comércio entre o Japão e a União Europeia (UE) – o Acordo de Parceria Econômica – entrou em vigor hoje (1º). O pacto vai remover tarifas de mais de 90% das importações das duas partes e liberar regras em vários setores.
O Japão e a UE, que contam com população total de 640 milhões de pessoas – 28% do Produto Interno Bruto (PIB) global e 37% dos valores do comércio mundial – ratificaram o acordo em dezembro do ano passado.
O Japão vai eliminar tarifas sobre 94% de suas importações da União Europeia, incluindo produtos agropecuário. A União Europeia vai eliminar os impostos sobre 99% das importações do Japão.
*Com informações da NHK (emissora pública de televisão do Japão)
Inadimplência das empresas fecha 2018 com alta de 7,44%, mas desacelera em quatro das cinco regiões, revela indicador CNDL/SPC Brasil
Recuperação de crédito cresce quase 12% no acumulado de 2018. Com ano pouco melhor nas vendas, empresas ganharam fôlego para regularizar contas. Entre empresas que não conseguem honrar compromissos, 46% atuam no comércio
O número de empresas com contas em atraso e registradas no cadastro de inadimplentes apresentou crescimento de 7,44% no fechamento de 2018 na comparação com 2017, mas o ritmo de alta perdeu força em quatro das cinco regiões analisadas. Já o número de dívidas contraídas em nome de pessoas jurídicas avançou 4,89% em dezembro na comparação anual. Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
De acordo com o indicador, na região Norte, o crescimento do número de empresas com contas sem pagar foi apenas 0,78%, a menor entre todas as regiões brasileiras. No Centro-Oeste, foi de 2,10%, enquanto no Nordeste, a alta foi de 2,35% e no Sul, de 3,71% – todas abaixo da média nacional e menores do que o percentual observado no auge da crise econômica, quando girava em torno de 10%. No ano passado, a única região a destoar foi o Sudeste, que encerrou o ano de 2018 com alta de 13,03% na quantidade de empresas inadimplentes.
O número expressivo foi influenciado pela revogação de uma lei no Estado de São Paulo que exigia por parte dos credores uma carta com Aviso de Recebimento (AR) antes de efetivar o registro de atraso. Com o fim da lei, que burocratizava e tornava mais caro o processo de registrar uma dívida no banco de dados, muitas das negativações que estavam represadas entraram na base de dados de forma mais abrupta.
Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, o cenário da inadimplência mais bem comportada entre as empresas é um sinal de que a recuperação econômica já refletiu, em alguma medida, melhora no faturamento das empresas. “Embora a saúde financeira das empresas ainda não tenha voltado ao patamar anterior à crise, o ano de 2018 foi um pouco melhor em vendas do que os anteriores, o que deu um fôlego maior para as empresas conseguirem honrar seus compromissos financeiros e organizar pendências. Nota-se que a situação da inadimplência no âmbito corporativo está mais contornável do que entre as pessoas físicas”, explica o presidente.
De modo geral, a recuperação de crédito, ou seja, o movimento de quitação de dívidas em nome de pessoas jurídicas, aumentou 12,20% em dezembro de 2018 no acumulado em 12 meses, o que demonstra que mais empresas conseguiram colocar sua situação financeira em dia junto aos credores. Além disso, cada empresa devedora tem, em média, duas pendências financeiras.
Comércio representa 46% de todas as empresas que devem; empresas do ramo de serviços são as que mais deixaram de receber
Dados abertos por setor da economia revelam que o aumento da inadimplência foi maior entre as empresas que atuam no ramo de serviços, cuja alta foi de 10,87% em dezembro de 2018 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os atrasos entre empresas do comércio cresceram 5,13%, ao passo que na indústria, a alta foi de 4,12%. No total, quase 46% de todas as empresas que estão negativadas pertencem ao setor do comércio.
Entre os segmentos credores, ou seja, as empresas que deixaram de receber de outras empresas, o destaque também ficou por conta do setor de serviços, que engloba bancos e financeiras, cuja alta foi de 6,26% na quantidade de atrasos. Em segundo lugar ficaram as indústrias, com crescimento de 3,18%, seguido do comércio, com alta de 2,17%. Em termos de participação, 36% das pendências de empresas são devidas ao setor de serviços, 17% a empresas comerciais e 12% a indústria.
Em busca de novos acordos: José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Conselho de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)
Mais tecnificadas, mulheres vão assumindo as rédeas do agronegócio
Estudo recente aponta um crescimento de 8,3% da atuação feminina no campo, enquanto o número de homens teve recuo de 11,6%
Bem vindo ao Player Audima. Clique TAB para navegar entre os botões, ou aperte CONTROL PONTO para dar PLAY. CONTROL PONTO E VÍRGULA ou BARRA para avançar. CONTROL VÍRGULA para retroceder. ALT PONTO E VÍRGULA ou BARRA para acelerar a velocidade de leitura. ALT VÍRGULA para desacelerar a velocidade de leitura.Ouça este conteúdo0:00Audima
Ricardo Chicarelli
Claudia Carlomagno faz parte desta estatística, após o fim do casamento trocou a psicologia pela administração da fazenda: muito estudo e dedicação
A força do agronegócio brasileiro vai além da movimentação econômica que ele gera. Sua pujança nos últimos anos é capaz de alterar estruturas sociais, inclusive relacionadas ao mercado de trabalho e sua relação com as mulheres. Neste novo cenário, fica cada vez mais distante aquela figura estereotipada do homem com a força braçal e a esposa cuidando da casa e dos filhos.
O agronegócio mudou, se tecnificou e exige elevada capacitação. O produtor também é gestor, um "CEO" da propriedade. Movimento natural de evolução que colocou as mulheres na cabeça do negócio, não apenas dentro da porteira, mas também nas agroindústrias e serviços prestados pelo agro. Elas estão por toda a parte e são protagonistas.
O estudo "Mulheres no Agronegócio", do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"), divulgado recentemente, comprova todo esse impacto do sexo feminino no setor. Entre 2004 e 2015, houve uma tendência geral de redução da população ocupada (PO) do agronegócio. No período, a queda foi de 6,6%, mas não para elas. Enquanto o número de homens atuando no setor diminuiu 11,6%, o total de mulheres trabalhando no agro aumentou 8,3%. Diante desse cenário, a participação da mulher no mercado de trabalho do agronegócio cresceu consistentemente entre 2004 e 2015, passando de 24,1% para 28%. "Nos últimos anos, 50% do que o Brasil evoluiu em relação à participação feminina como um todo (no mercado de trabalho) foi proveniente do agronegócio", ressalta o pesquisador do Cepea, Leandro Gilio.
Se por um lado os pesquisadores ficaram surpresos com números tão significativos, por outro conseguiram avaliar de forma consistente essa movimentação. "São vários aspectos, como a tecnificação do campo, maior escolaridade da mão de obra, entre outros. A mulher também é cada vez mais provedora dentro do lar e isso acaba influenciando que ela vá ao mercado de trabalho. A geração de emprego dentro do agro acaba atraindo pessoas, principalmente no interior do País."
Enquanto os homens do agronegócio estão predominantemente atuando no segmento primário (agropecuária), as mulheres atuam principalmente nas agroindústrias e nos agrosserviços, mas é claro que há exceções, como os cases que você confere aqui na Folha Rural. Em 2015, 19,66% das mulheres atuando no agronegócio estavam dentro da porteira. Quanto aos elos industriais, 0,91% estava na indústria de insumos e 34,11% na agroindústria de processamento. O segmento de agrosserviços, por sua vez, se destacou, com participação de 45,32% na mão de obra feminina. "Como inclusive dentro da porteira tem se incentivado a mecanização, surgem novas oportunidades mais qualificadas no campo, o que gera uma inserção maior da mulher."
Por fim, no segundo estudo do Cepea, enquanto a participação das mulheres com instrução igual ou inferior ao ensino fundamental recuou expressivamente entre 2004 e 2015, aumentou a participação das mulheres com ensino médio e superior atuando no agro. Especificamente, a participação das mulheres com ensino superior dobrou no período, passando de 7,6% para 15%.